O CLARÃO – O Momento de Transição entre a Escuridão e o Inconcebível

Estudo de Caso: Ilustrações Originais para Livro
Livro: Meu Amigo Curupira
Ilustração: O CLARÃO – O Momento de Transição entre a Escuridão e o Inconcebível
1. CONTEXTO NARRATIVO
Esta cena marca o ponto de virada emocional da pequena Luiza onde ela testemunha um fenômeno cósmico que desafia a realidade. A composição minimalista (apenas uma silhueta e um clarão) cria um suspense transcendente.
2. ESCOLHAS ARTÍSTICAS
Esta ilustração é um estudo de contrastes radicais, onde cada elemento foi meticulosamente planejado para criar uma tensão visual que ecoa o conflito interno de Luiza e energia que cura sua mãe convalescente.
Paleta de cores: O azul índigo que envolve Luiza não é mera ausência de luz é uma escuridão quebrada pela luz ao horizonte. Seu vestido e cabelos se fundem com o ambiente, tornando-a quase parte da noite, porem com contornos leves de azul turqueza ao redor. Sua mão surge como o único ponto de conexão com o mundo exterior.
O clarão, por sua vez, é uma acontecimento luminoso. Começa como branco-puro no núcleo (a cor da revelação absoluta), degradando para azul piscina, quase branco. Essa luz não ilumina e contagia o ambiente, dando sensação de amparo e atrai o observador para esse ponto. Ao fundo vê-se silhuetas fracas de árvores sem folhas, somente os galhos, dando profundidade para olhar através da janela.
Alguns vaga-lumes na janela simbolizando luz e que mesmo à noite, a natureza é viva.
3. SIMBOLISMO E NARRATIVA
Apesar da intensidade, a escuridão não recua – paradoxo visual
Luiza não teme a escuridão que a envolve. Ao contrário, há uma serenidade em seu gesto. A mão que toca o vidro não treme, e seus olhos (embora ocultos na sombra) estão fixos no clarão, como se reconhecessem algo familiar naquela luz.
Confiança no Desconhecido: Luiza não se encolhe, ela estende a mão, como quem sabe, no fundo, que aquela energia é protetora.
Contraste com o Caos Anterior: Depois da fúria flamejante do Curupira (ilustração 9), essa luz parece trazer equilíbrio, como se a floresta estivesse se recompondo.
4. TÉCNICAS E FERRAMENTAS
Digital: Camadas de ”adicionar”em modo de mistura é usada para criar efeitos de luz e brilho, permitindo o realce e iluminação para a ilustração do clarão, pincel aerógrafo para criar efeito de luminosidade difusa, com controle de opacidade.
Pincel de textura “aquarela digital” para o cenário.
5. LINK COM O RESTO DO LIVRO
6. REFERÊNCIAS
A cena da TV em Poltergeist e a Ilustração das Meninas Tocando o Desconhecido: Diálogos entre o Terror e o Místico
A cena icônica da TV em Poltergeist (1982) e sua relação com sua ilustração da menina Luiza tocando o clarão através da janela compartilham uma linguagem visual e simbólica poderosa, explorando medos universais e a fronteira entre o real e o sobrenatural.
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Ambos os objetos (TV/janela) são cotidianos, tornando a ruptura do sobrenatural mais chocante.
- A luz (estática/clarão) age como isca visual, atraindo personagens e espectadores para o mistério.
- A criança como ponte para o invisívelPor que isso é importante para minha narrativa?
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Subverte o tropo do terror clássico (onde crianças são frágeis e vulneráveis)
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Reflete um tema central do meu livro: a coragem de enfrentar o mistério (como nas cenas com o Curupira)
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Cria uma conexão emocional diferente – o medo não vem da impotência, mas da responsabilidade da escolha
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